Luta, empoderamento e conquista de espaços foram debatidos no segundo painel do seminário “Lugar de mulher é onde ela quiser” 

O segundo painel do seminário “Lugar de mulher é onde ela quiser”, promovido pelo Sindifisco Nacional em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, na sexta-feira (8), contou com a participação de representantes de Comissões de Mulheres que atuam no âmbito do serviço público. O objetivo foi promover o compartilhamento de experiências e dificuldades enfrentadas por elas na condição de mulheres, servidoras, mães e filhas. O Sindifisco Nacional também oficializou sua Comissão de Mulheres durante o evento.       

O painel teve a participação de Fernanda Cimbra Santiago, procuradora da Fazenda Nacional; Ana Fraga, liderança feminina na Caixa Econômica; Herta Rani, da Comissão de Mulheres dos Advogados Federais; Karla Costa Fantacini e Denise Figueiredo, Analistas-Tributárias da Receita e integrantes da Comissão de Mulheres do Sindireceita; além das Auditoras-Fiscais e diretoras do Sindifisco Nory Celeste (Defesa Profissional), coordenadora de mesa, e Dejanira Freitas Braga (diretora suplente), como mediadora.     

A diretora Nory expressou sua alegria com o momento e lembrou do debate que ocorreu em 2023, com as mesmas mulheres, que contribuíram com suas experiências. “No ano passado, elas nos ensinaram o caminho para chegar aonde vamos chegar”, disse ela, referindo-se à instalação da Comissão de Mulheres composta por Auditoras-Fiscais. “Estamos aqui fazendo uma homenagem a vocês, pois aprendemos muito e estamos cheias de projetos!”, continuou.   

A procuradora Fernanda Santiago pontuou que o dia 8 de março se refere a uma luta coletiva. “É impressionante como a nossa luta se torna mais forte quando conseguimos conversar, estabelecer conexões e nos empoderar coletivamente. O dia 8 de março, para mim, é sobre uma luta coletiva, uma luta que é histórica, das mulheres que vieram antes e que virão depois, das mulheres que são capazes de se unir contra a injustiça que é existir e não poder ocupar e estar nos espaços de poder.”    

Ana Fraga falou da representatividade feminina na Caixa Econômica e apresentou dados expressivos do órgão, que serviram para uma análise geral. “Hoje a força de trabalho da Caixa é composta por 86 mil funcionários; 45% são mulheres. No entanto, quando a gente analisa as posições de liderança, observamos uma notável disparidade nas chefias de unidade: temos apenas 28% de mulheres. Isso evidencia uma clara sub-representação nas posições de poder e decisão”, informou.  

Ela também levantou um questionamento para a reflexão para todas as servidoras: qual é o percentual de mulheres existentes nos cargos de liderança? “Esses números trazem o começo de uma discussão que é base para o nosso fundamento. As estatísticas são importantes para que possamos compreender o que de fato acontece, e trazem também as experiências vividas pelas mulheres que se aventuram a estar nesses cargos.”    

A arquitetura do poder, do conhecimento, das cidades – que impede a mulher de andar sozinha à noite – e dos espaços de poder foi destacada por Herta Rani. A especialista, como exemplo, fez uma análise de espaços públicos de referência, projetados para homens.  

“Nós demoramos muito para chegar nesses lugares, foram muitas leis atrapalhando a gente. Enquanto estávamos em casa, em nosso espaço doméstico cuidando das crianças, os homens estavam no espaço público construindo e arquitetando esses lugares. O Congresso Nacional foi criado assim. Não tinha banheiro feminino no Congresso nem no Superior Tribunal de Justiça. Está na hora de pensarmos e exigirmos nossos espaços”, complementou.     

Para Denise Figueiredo, que foi mãe aos 17 anos, o desafio de trabalhar e estudar começou cedo. “Estamos nessa luta porque a gente quer que todas as mulheres tenham oportunidade. A independência financeira te leva ao caminho da independência total. É importante reconhecer a história das mulheres que vieram antes de nós, nossas mães e avós. Graças a elas estamos aqui hoje”, enfatizou.    

“Estamos muito felizes com as Comissões de Mulheres de vocês! Para nós, foi uma guerra”, disse Karla Fantacini, enaltecendo as comissões de mulheres de Analistas-Tributárias e Auditoras-Fiscais trabalhando de forma concomitante. 

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Assista abaixo ao segundo painel do seminário “Lugar de mulher é onde ela quiser”:

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