Delarue: “Governo já sente a necessidade de negociar”

O sucesso do ato público realizado na tarde de quarta-feira (8/8) na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF), norteou os debates da reunião do CDS (Conselho de Delegados Sindicais) na manhã de quinta-feira (9/8). O fato de o Governo ter sinalizado disposição para retomada da negociação, como noticiou a grande mídia, criou na Classe um entusiasmo ainda maior para o acirramento do movimento, segundo os delegados sindicais.

Durante o debate, os delegados sindicais ressaltaram a relevância da realização de manifestações a exemplo do ato público promovido pelas representações sindicais na Esplanada na quarta-feira (8/8), e avaliaram a iniciativa como uma forma acertada de pressão.

Na visão da maioria dos delegados, a união do conjunto dos servidores públicos, aliado ao acirramento e consequente radicalização da mobilização  pavimentará o caminho para a conquista das demandas.

O presidente da DEN (Diretoria Executiva Nacional), Pedro Delarue, relatou a reunião com secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, ocorrida logo após a manifestação. Pedro afirmou que foi uma oportunidade para fazer um alerta para o Executivo. “Um Governo democrático e egresso de um partido de trabalhadores, não poderia jamais lançar medidas arbitrarias e ditatoriais na tentativa de sufocar o movimento dos trabalhadores”. O sindicalista reforçou que se houver uma tentativa de separação da Aduana da RFB (Receita Federal do Brasil), será uma declaração de guerra – “E nessa guerra, vamos fazer o Governo sangrar", enfatizou.

O presidente do Sindifisco relatou que adiantou para Sérgio Mendonça que o CDS deve aprovar durante a reunião em Brasília o acirramento do movimento nos meses de agosto e setembro. “Não vamos deixar o Governo imaginar que, em 31 de agosto, o nosso movimento acabe. E também não acredito que outras categorias também acreditem nisto.", afirmou Delarue, ao lembrar que o Executivo não deve apostar que a mobilização dos servidores se encerrará em virtude do prazo de encaminhamento da Lei Orçamentária para o Congresso Nacional.

“Setores que não estavam envolvidos na mobilização estão cada dia mais engajados. Acho que o movimento dos servidores está crescendo no momento certo e o conjunto do funcionalismo está se encaminhando para o auge do movimento, e o Governo já dá sinais de que sente a necessidade de negociar”, destacou Delarue.

Jurídico – O diretor de Assuntos Jurídicos do Sindicato, Luiz Henrique Franca, e a advogada Priscila Baccille esclareceram dúvidas dos delegados sindicais relativas ao corte de ponto e à entrega das funções de chefia. Os representantes do Jurídico da DEN também responderam perguntas sobre os efeitos funcionais e financeiros em decorrência da greve de 2008.

Após os debates, a mesa do CDS fez a leitura das propostas apresentadas pelas DS (Delegacias Sindicais) para a continuidade do movimento. A votação das propostas está prevista para esta tarde.

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